quarta-feira, 30 de abril de 2008

Casos de malária caíram quase 25% em dois anos



Dados do Ministério da Saúde sobre a situação da malária no Brasil apontam queda expressiva dos c asos provocados pela doença nos últimos dois anos, como resultado das ações dos governos federal, estaduais e municipais. De acordo com as informações da Pasta, em 2007 foram notificados 457.659 casos de malária, enquanto em 2005 esse dado foi de 607.827. Isso representa menos 150.168 pessoas doentes no ano passado em relação a 2005, e uma queda de 24,7%.

"Esse é o resultado do trabalho contínuo realizado pelo Ministério, estados e municípios, que promoveram a integração da vigilância epidemiológica com a atenção básica, meio ambiente e outros setores, aliado à melhoria do acesso da população aos serviços de saúde, que garantem bons resultados no controle da malária", afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Entre 2006 e 2007, o estado que mais reduziu os casos de malária foi o Acre (-45,4%), seguido do Maranhão (-30,5%). Nos demais estados o ritmo também foi de desaceleração, com queda de 26,2% em Roraima; 25,3% no Pará e 25,1% no Amapá. Também registraram queda os estados do Tocantins (-24%) e em Rondônia (-19,5).

Houve aumento do número de casos apenas no Amazonas e no Mato Grosso, com elevações percentuais de 6% e 1,5%, respectivamente.

Óbitos e internações - A diminuição do número de casos vem acompanhada de outras duas boas notícias: a redução de óbitos e de internações. No caso das internações, a queda foi de 46,3%, passando de 12.542 em 2005 para 6.736 em 2007. Todos os estados registraram redução.

Quanto às mortes, de acordo com as informações do Ministério da Saúde, foram 59 em 2007 contra 122 em 2005. Considerando os dados da Amazônia Legal, que concentra 99,9% dos registros de malária, a redução foi de 54,4%. Em 2007, foram 52 mortes provocadas pela doença, contra 114 em 2005.

Na avaliação do MS, entre os principais fatores que contribuíram para a redução de óbitos por malária está a expansão em 172% da rede de laboratórios para diagnóstico de malária, entre 1999 a 2007. Nesse período, a rede ganhou mais de duas mil novas unidades, passando de 1.182 em 1999 para 3.217 em 2007, o que favoreceu decisivamente para o diagnóstico precoce e tratamento oportuno e adequado de pacientes.

Outro aspecto importante que ajudou a melhorar esses indicadores foi a introdução do novo tratamento para malária transmitida pelo P. falciparum, forma mais grave da doença.

Avaliação - De acordo com o Secretário de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, Gerson Penna, a inserção de ações para o combate à doença na atenção básica de saúde é um fator bastante positivo. "Os agentes comunitários de saúde colheram no ano passado quase meio milhão de lâminas para exames. Isso representa que o programa está realmente inserido na rede de serviço de saúde", destacou.

"Estamos expandindo nossa rede de serviço, fazendo com que as pessoas cheguem mais rápido ao diagnóstico e tratamento, diminuindo a gravidade da doença e reduzindo a sobrecarga nos leitos hospitalares, bem como possibilitando a quebra da cadeia de transmissão da doença", observa o secretário. Para ele, o programa está num momento muito importante com o fortalecimento da capacidade de gestão.

Gerson ressaltou o caráter intersetorial para o enfrentamento da doença. "Os ministérios envolvidos na questão da reforma agrária, do meio ambiente, minas e energia, transporte, defesa, educação, turismo e secretaria especial de aqüicultura e pesca têm que ser plenamente envolvidos no nosso trabalho, de forma articulada, para resolver as pendências fora do setor de saúde. Assim, os resultados positivos que conseguimos nos últimos dois anos poderão ser, a cada dia, mais fortalecidos e sustentados", assegurou.

Nossa opinião: Esses dados mostram que temos razão, quando afirmamos que o que falta, é a "vontade de fazer", entre outra faltas, por parte daqueles que detém o poder de tomada de decisões, para que articulações existam entre esferas de poder, redundando em benefícios à população. Tomara que daqui pra frente, esses dados positivos também venham aparecer em relação a Dengue que avança epidemicamente pelo Brasil.

Biólogo Ambiental Carlos Simas

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