quarta-feira, 2 de abril de 2008

Descoberta no Peru bactéria que melhora diagnóstico de leptospirose

San Francisco, 2 abr (EFE) - Uma nova bactéria descoberta no Amazonas peruano por pesquisadores dos Estados Unidos e do Peru permitirá diagnosticar melhor a leptospirose, uma doença tropical infecciosa que, em sua forma mais grave, pode ser fatal.

A bactéria descoberta em Iquitos (norte do Peru) poderia ser a causadora de até 40% dos casos de leptospirose, afirmou um estudo publicado na edição de abril da revista de "Neglected Tropical Diseases" da Biblioteca Pública de Ciências dos EUA.

Joseph Vinetz, professor de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego e diretor da pesquisa, disse hoje à Agência Efe que a descoberta "permitirá detectar mais rapidamente a doença e fazer melhores diagnósticos".

A equipe de Vinetz, que trabalhou com cientistas da Universidade Peruana Cayetano Heredia de Lima, estudou 881 pacientes durante cinco anos nesta região, onde a leptospirose é a segunda doença mais comum, depois da malária.

A leptospirose se manifesta através de febre, dor de cabeça e muscular e, embora possa ser tratada facilmente com antibióticos, em sua forma mais grave pode causar falência renal e hemorragia pulmonar e tem uma taxa de mortalidade de entre 20% e 25% em algumas regiões.

Os cientistas descobriram que 41% dos pacientes estudados tinham anticorpos que reagiam somente à bactéria descoberta, o que mostrou uma incidência da doença mais alta do que o pensado.

Vinetz afirmou à Efe que a nova bactéria "não causa uma forma mais grave da doença, como foi publicado em alguns veículos de comunicação" e acrescentou que as pessoas afetadas "sofriam na verdade de uma forma mais leve de leptospirose" e se curaram sem antibióticos.

"Também não descobrimos um novo vírus letal, como afirmaram veículos de comunicação do Peru", ressaltou o cientista.

No entanto, a nova bactéria - batizada de Leptospira licerasiae em homenagem à cientista peruana Julia Licera - tem características biológicas novas e manteve ocultos muitos casos da doença.

Vinetz disse que "pode haver centenas de pessoas infectadas com esta bactéria", pacientes que geram anticorpos que não reagiam aos testes para leptospirose realizados até agora.

Ele acrescentou que também não pode ser descartado que a bactéria se propague através da água a outras zonas.

A leptospirose é mais freqüente em zonas rurais, onde as pessoas consomem água contaminada com urina de animais afetados pela doença, como os ratos.

Para o cientista americano, esta nova espécie reflete a biodiversidade do Amazonas, onde, segundo ele, vão "continuar sendo descobertos novos organismos causadores de doenças".

"Não temos nem idéia de quantos pode haver", disse Vinetz, que assegurou: "Estamos descobrindo todo o tempo novas bactérias, vírus", entre outros.

Ele ressaltou que sua equipe continuará trabalhando na região, onde tem em andamento projetos de pesquisa sobre a leptospirose e a malária.

Fonte UOL

Nossa opinião: A leptospirose têm se tornado doença endêmica em várias regiões do Brasil, sobretudo, pelas condições sanitárias caóticas, havendo então, proliferação de ratazanas de esgoto(Rattus norvegicus), principal hospedeiro urbano natural de leptospiras(bactéria em forma de espiral). Portanto,o aprofundamento da pesquisa, trará esperança de cura, principalmente, à faixa mais pobre da população, que fica mais suscetível ao problema.

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