domingo, 9 de novembro de 2008

Sarah Palin e as moscas

Crédito Foto: Google

Postado por Alysson Muotri em 07 de Novembro de 2008 às 11h16min

Quando me contaram eu mal pude acreditar, mas infelizmente é verdade. Basta entrar no link e ver pessoalmente. A candidata republicana à vice-presidência dos EUA, a governadora do Alasca, Sarah Palin, declara publicamente que pesquisa científica feita com moscas-de-frutas (sim, aquelas que sobrevoam as bananas maduras) é um exemplo de dinheiro mal empregado pelo governo americano. Uma piada. O episódio foi amplamente divulgado pela mídia internacional, promovendo uma série de revoltas por parte da comunidade científica.

Até entendo que Palin, sendo criacionista, tenha certa dificuldade em entender como a pesquisa com animais não-humanos possa trazer benefícios para a humanidade. A biologia molecular tem demonstrado que diversos fatores responsáveis pelo desenvolvimento de um organismo são compartilhados entre as espécies (incluindo moscas-de-frutas e humanos). Isso é o fruto de um processo evolutivo e nos permitem estudar em outros animais estágios fundamentais do desenvolvimento humano, como a formação do sistema nervoso, por exemplo. Mas imagina se a governadora do Alasca vai achar que somos semelhantes às moscas! Difícil.

Para pessoas que não são da área de ciências biológicas e com um nível básico de conhecimento geral, leva-se uns 10 minutos navegando na internet para descobrir que o trabalho com moscas-de-frutas é essencial para o entendimento de diversas doenças humanas, pois se trata de um dos mais belos e eficientes modelos genéticos existentes. Ouso dizer que as moscas representam o modelo animal que mais traz conhecimentos sobre a natureza humana, deixando para trás outros modelos menos complexos, ou com um período de gestação maior, como os camundongos ou macacos.

Vale lembrar que Sarah Palin tem um familiar que é autista e um filho com Síndrome de Down. Em ambos os casos, a pesquisa com moscas-de-frutas tem acelerado incrivelmente a compreensão da origem e manifestação clínica dessas doenças. O mais curioso é que, antes de soltar essa pérola, a governadora alertou para o fato de que é preciso investir em pesquisas para descobrir marcadores precoces de doenças como autismo, pois a detecção precoce seria de grande valia para o desenvolvimento dos afetados. Ate aí, concordo com a ex-miss. Pois bem, ano passado pesquisadores americanos descobriram que uma proteína chamada neurexina é essencial para a formação e funcionamento de conexões nervosas.

A descoberta, feita em moscas-de-frutas (!), tem auxiliado no entendimento de doenças consideradas com espectro autista, pois quando o gene da neurexina humano está mutado, aumentam-se as chances de desenvolver o autismo. Acredita-se que isso permita a detecção de marcadores moleculares em estágios iniciais da doença, proporcionando uma melhor adaptação terapêutica. Essa é só uma das dezenas de aplicações com moscas. Outras incluem processos do envelhecimento, comportamento social, metabolismo, sistemas sensoriais, câncer e uma série de outros processos fundamentais. O vexame nacional não passou batido e diversos pesquisadores do mundo todo (não vi nada vindo do Brasil) publicaram seu repúdio às declarações da governadora em diversas mídias.

Isso ilustra muito bem como é importante que os políticos hoje em dia tenham um conhecimento científico mais apurado, ou pelo menos uma acessoria científica mais crítica. No governo Bush isso tem sido um desastre, principalmente no que se refere às pesquisas com células-tronco embrionárias. Os EUA só não perderam a liderança mundial por completo por causa dos investimentos estaduais. Aliás, levando-se em conta as declarações apresentadas sobre ciência e tecnologia dos candidatos à presidência dos EUA para a revista científica Nature, o Partido Republicano não parecia muito disposto a mudar o cenário. Por esse aspecto, dá para dizer que foi bom Barack Obama ter vencido.

Fonte Site G1 o Portal da Globo

Nossa opinião: Biólogo Ambiental Carlos Simas

Nossa opinião: Se nos Estados Unidos, uma governadora candidata a vice-presidente do país é tão sem conhecimento (e não busca), portanto, despreparada para o exercício público, imagina por aqui, guardando-se evidentemente as devidas proporções. Se formos só racionais, desanimamos, pois, o que mais observamos, são políticos falando e praticando bobagens e o pior: Na sua grande maioria, desconsideram totalmente, aqueles que poderiam contribuir para um mundo melhor! Ainda bem que por lá (Estados Unidos), o povo soube escolher, pelo menos, o vice de Obama, não fala bobagens, levando a crer que esteja capacitado intelectualmente, para ajudar o país, a sair da grave crise econômica em que se encontra. Por aqui, também estamos aprendendo e temos fé, que nosso país, ainda há de ser justo e fraterno, para os seus filhos, igual para todos! Beijo no seu coração!

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