segunda-feira, 7 de junho de 2010

Controle de Pulgas



















Introdução

Conhecidas popularmente como pulgas, compreendem um grupo de insetos com hábitos hematófagos que parasitam externamente aves e mamíferos.
No ambiente urbano, estes ectoparasitas tem como hospedeiros os cães, os gatos e também o homem.
O hábito de picar para sugar o sangue confere sua importância em Saúde Pública como transmissores de vários agentes etiológicos patogênicos como: protozoários, bactérias e vermes. Alergias e dermatites são causadas pela saliva utilizada no local da picada a fim de impedir a coagulação do sangue do hospedeiro.

Características Biológicas

Algumas espécies parasitam o hospedeiro apenas para se alimentar, abandonando-o em seguida (Pulex irritans – pulga do homem), outras têm o hábito penetrante, perfurando o tecido do hospedeiro para se instalar (as fêmeas da Tunga penetrans – bicho-de-pé), e a grande maioria abriga-se no corpo do hospedeiro (Ctenocephalides felis – pulga do gato; Ctenocephalides canis – pulga do cão; Xenopsylla cheopis – pulga do rato; etc.)
A espécie de pulga mais prevalente e não seletiva que infesta o ambiente urbano e consequentemente a de maior importância para o mercado de controle de pragas é a pulga do gato (Ctenocephalides felis). Por esta razão, as informações a seguir sobre as características biológicas, ciclo evolutivo e mecanismos de controle tem por base esta espécie de pulga.
Machos e fêmeas são hematófagos. O sangue do hospedeiro é vital para o desenvolvimento das pulgas, embora tenha funções diferentes em ambos os sexos.
Nos machos o sangue é utilizado para estimulação sexual, enquanto que as fêmeas necessitam de sangue para o amadurecimento dos ovos.
O desenvolvimento das pulgas é do tipo holometabólico, isto é, realizam metamorfose completa, compreendendo as seguintes fases: ovo, larva, pupa e adulto. O ciclo completo de desenvolvimento ocorre em aproximadamente 30 dias.
A postura dos ovos ocorre cerca de 24 a 36 horas após o primeiro repasto sanguíneo. Antes da postura e durante o período de amadurecimento dos ovos, a fêmeas podem aumentar em até 140% o seu tamanho. Os ovos são colocados diretamente no corpo do hospedeiro. Algumas fêmeas chegam a colocar entre 40 a 50 ovos por dia.
Os ovos desprendem-se do corpo do hospedeiro em aproximadamente 8 horas. No chão, os ovos permanecem entre 2 e 6 dias, quando então eclodem, originando as larvas.
A variação de tempo de eclosão está diretamente relacionada às condições de temperatura e umidade relativa do ambiente. Temperatura entre 10 e 27⁰C e umidade relativa superior a 50% favorecem a eclosão dos ovos.
Estudos recentes citam que apenas a quarta parte dos ovos produzidos completa o desenvolvimento.
As larvas têm aspecto vermiforme e apresentam coloração branco-leitosa. Possuem movimento e deslocam-se de 15 a 45 cm por dia. Em geral estão sempre próximas ao local da eclosão. Procuram lugares escuros e sempre permanecem no chão, preferencialmente em frestas do assoalho.
O primeiro alimento das larvas é a própria casca do ovo, depois alimentam-se do sangue seco encontrado nas fezes das pulgas adultas, nas quais encontram uma dieta composta de aminoácidos, gorduras, açúcares, sais e levedura.
As larvas sofrem três mudas ou ecdises. As duas primeiras mudas são de crescimento e a última é o preparo para o processo de metamorfose, que será concluído na fase de pupa.
As pupas não possuem movimentos e apresentam-se revestidas por uma secreção que favorece a aderência das partículas de poeira do ambiente, camuflando-as e protegendo-as da ação de predadores naturais, principalmente formigas. Por esta razão, esta fase é conhecida como a de maior resistência durante o desenvolvimento.
Em condições favoráveis, a fase de pupa dura em média de 5 a 8 dias. A temperatura elevada e a pressão mecânica estimulam a emergência das pupas.
Os adultos buscam imediatamente um hospedeiro, esta característica favorece as espécies menos exigentes quanto ao hospedeiro, tornando a Ctenocephalides felis (pulga do gato) a mais popular pulga do ambiente urbano, pois esta espécie parasita cães, gatos, outros animais, inclusive o homem.


Curiosidades

Pulgas saltitantes
Uma pulga pode saltar aproximadamente 17,8 centímetros verticalmente ou 33 centímetros no modo horizontal. Em proporções humanas, é um salto de 76 metros verticais ou 137 metros horizontais.

As pulgas adultas vivem entre 11 e 100 dias e geralmente permanecem no hospedeiro 50% de sua longevidade.

No hospedeiro os machos são mais ativos do que as fêmeas por que necessitam de menos sangue para o desenvolvimento. Durante o repasto sanguíneo, as pulgas “esquecem da vida”, concentrando-se totalmente nesta prática alimentar, tornando-se alvos fáceis para captura.


Importância em Saúde Pública

As pulgas são hospedeiras intermediárias de várias tênias(vermes), destacando-se a Dipylidium caninum, um parasita intestinal bastante comum em cães e gatos.
O contato direto com as fezes de pulgas contaminadas pela bactéria Rickettsia typhi, pode causar o tifo murino.
A peste bubônica é a mais conhecida doença infecciosa transmitida pela bactéria Yersinia pestis. Esta bactéria parasita a Xenopsilla cheopis, espécie de pulga transmissor a de peste em roedores silvestres. Outros mamíferos podem ser parasitados por esta pulga, inclusive o homem.
A saliva da pulga provoca uma ação irritativa, em função da presença de um hapteno que aciona o sistema imunológico (prurigo de Hebra).
A ação inflamatória da Tungíase serve como porta de entrada para outros agentes patogênicos, causando infecções secundárias.
As pulgas continuam a exercer a hematofagia mesmo após estarem satisfeitas, a fim de lançarem no chão uma maior quantidade de sangue e fezes para as larvas. Esta ação espoliadora estressa e deprime o hospedeiro.
Um cão, por exemplo, pode ser parasitado simultaneamente pelas quatro espécies de pulgas mais comuns no ambiente urbano (Pulex irritans, Ctenocephalides canis, Ctenocephalides felis e Tunga penetrans).

Mecanismos de Controle e Prevenção

O controle químico do ambiente infestado deve ser realizado durante a noite, pois neste período as larvas estão mais próximas às superfícies.

O controle de pulgas deve ser realizado com os mecanismos padrões de qualidade oferecidos no controle de baratas, moscas, roedores, etc.
O desenvolvimento de um programa de controle de pulgas deve comportar a prática do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Esta filosofia é fundamental para o sucesso em qualquer processo antipraga.

INSPEÇÃO
CONTROLE MECÂNICO
CONTROLE DO AMBIENTE INTERNO
CONTROLE DO AMBIENTE EXTERNO
AÇÕES DE RECUPERAÇÃO DO AMBIENTE
CONTROLE COMPLEMENTAR OU CONTROLE DO HOSPEDEIRO

Inspeção

É a primeira etapa do desenvolvimento de um programa de controle. A observação total do ambiente e a interpretação correta das situações do ambiente servirão de base para todas as etapas do Programa de Controle.
É importante verificar a natureza da infestação que, normalmente, está relacionada à presença de animais domésticos, principalmente cães e gatos. Observar os hábitos e a relação que estes animais têm com o ambiente, por exemplo: locais de repouso e de circulação; se ficam confinados ou se possuem trânsito livre.
A inspeção deve ser direcionada para as superfícies horizontais como: assoalho, assentos de estofados, bases de móveis, principalmente àqueles guardados em locais empoeirados, escuros e pouco visitados.
O material de revestimento das superfícies também deve ser observado com muita atenção, pois ele é um elemento muito importante para a escolha e adequação do inseticida a ser utilizado nas ações de controle químico.
O tratamento deve ser programado para ocorrer em duas etapas com intervalo de 15 a 20 dias, de modo a alcançar todas as etapas do ciclo biológico.
A primeira etapa atinge diretamente as larvas e os adultos. A segunda etapa não é REPASSE. Ela compreende uma ação complementar da pulverização anterior, com objetivo de alcançar as fases do ciclo de desenvolvimento que estavam protegidas naturalmente por envoltórios, como ovos e pupas que são impermeáveis às ações químicas convencionais.

Controle Mecânico

O método de aspiração é bastante eficiente. Alguns estudos demonstram que a utilização do aspirador de pó remove do ambiente infestado de 60 a 90% dos ovos, de 30 a 50% das larvas, 95% das pupas e 50% dos adultos, além de retirar também as fezes das pulgas adultas que são utilizadas como alimento das larvas.
A aspiração deverá ser feita antes da aplicação do inseticida.

Controle do Ambiente Interno

As aplicações químicas devem ser praticadas pelos métodos convencionais. A pulverização deve ser feita em toda a extensão das superfícies infestadas, com atenção especial das fendas e frestas do assoalho.
Para melhor eficácia no controle químico, o(s) princípio(s) deve(m) ser adequado(s) ao tipo de superfície infestada. Como sugestão, alguns experimentos vem demonstrando que nas superfícies vitrificadas o diclorvós tem efetividade maior do que o diazinon, que por sua vez tem efetividade maior do que o clorpirifós, e este melhor do que os carbamatos.
Nas superfícies têxteis e nos carpetes a efetividade dos grupos químicos obedece a seguinte sequência: organofosforados > carbamatos > piretróides sinergizados > piretróides comuns.
As concentrações devem ser aquelas permitidas pelo Ministério da Saúde e autorizadas pela NT1005(FEEMA-atual INEA). Cuidados especiais devem ser tomados, evitando-se principalmente o excesso de calda para não manchar as superfícies.

Controle do Ambiente Externo

A aplicação de inseticida no ambiente externo complementa as ações do controle químico.
Todos os inseticidas existentes atualmente no mercado são eficazes, entretanto o efeito residual pode ser prejudicado em função de agentes externos como: exposição à luz solar, lavagens frequentes e intempéries.
Recomenda-se que o tratamento químico direcionado às larvas de Tunga penetrans e espécies de Ctenocephalides seja realizado à noite, pois esta etapa do ciclo de desenvolvimento é fotonegativa, e durante o dia ficam enterradas no solo ou escondem-se sob partícula de poeira ou de terra existente no ambiente.

Ações de recuperação do ambiente

Complementando todas as ações de controle, sugere-se a vedação de fendas e frestas do assoalho; a eliminação de objetos inservíveis, assim como a limpeza do ambiente, principalmente a eliminação de poeira.

Controle Complementar ou Controle Do Hospedeiro

ações complementares estão relacionadas com o hospedeiro. Atualmente existe uma variedade de formulações apresentadas em xampus, aerossóis, sabonetes, sprays, colares, etc. A seleção correta de um inseticida e sua concentração deve ser baseada no peso, na idade e no nível de infestação no animal. Por isso, o controle químico do(s) animal (is) doméstico(s) infestado(s) deve ser realizado por um especialista, um médico veterinário. Aos profissionais controladores de pragas urbanas, cabe a árdua tarefa da operacionalização do sistema para a solução do eventual problema.

3 comentários:

brunofm17 disse...

Parabéns pelo post !
Muito completo e enriquecedor!

Bruno - Campinas-SP

biologocarlossimas disse...

Muito obrigado Bruno. Aproveito a aportunidade, para desejar a você e família, um feliz natal e 2011 repleto de realizações. Abraços!

alexaugustus2806 disse...

Boa noite Biocarlos, muito bom esse material sobre pulgas e devido a isso gostaria de saber qual a bibliografia usada para que eu possa citá-la no meu trabalho de especialização.

Valeu!!!

Alexandre Augusto.