domingo, 1 de agosto de 2010

Controle de Vetores.


Práticas para controle de insetos são muito antigas.

Há registro de seu uso na China há mais de 2.000 anos.

Basicamente, eram práticas de controle biológico direcionadas

ao enfrentamento das pragas agrícolas.


No final do século XIX, descobriu-se que certas

espécies de insetos e outros artrópodos eram responsáveis

pela transmissão de algumas das mais importantes

doenças. Vacinas ou medicamentos efetivos

contra a maioria delas ainda não estavam disponíveis

e o controle da transmissão era, todavia, fortemente

centralizado no combate ao vetor.


Os primeiros

programas de controle eram baseados em medidas

físicas e na aplicação de óleo ou de verde de Paris

nos criadouros. Atualmente, muitas doenças contam

com vacinas eficazes, caso da febre amarela, ou com

medicamentos geralmente eficientes, caso da malária.


Todavia, o controle do vetor ainda é imprescindível

para prevenir diversas doenças entre as quais a dengue

é o melhor exemplo , parte integrante de muitos

programas de saúde, como os dirigidos à prevenção e

controle da malária e das leishmanioses.


O papel do controle de vetores em Saúde Pública é

prevenir a infecção mediante o bloqueio ou redução

da transmissão, sendo seus principais objetivos:


I) Manejar os problemas existentes, como surtos,

epidemias, alta mortalidade e alta morbidade.

II) Prevenir epidemias ou a re-introdução de

doenças.

III) Reduzir os fatores de risco ambiental da

transmissão.


Para que esses três objetivos sejam alcançados, é

necessário contar com informações sobre o hospedeiro

humano, a doença, o vetor e o ambiente; e dispor

dos recursos necessários para aplicação oportuna.


O controle efetivo dos vetores não pode depender

de um só método. Ao contrário, ele deve dispor

de várias alternativas, adequadas à realidade local,

que permitam sua execução de forma integrada e

seletiva.


O controle (ou manejo) integrado trata do planejamento

unificado de controle, de acordo com as condições

ambientais e a dinâmica populacional do vetor.

São selecionados os métodos de controle apropriados

e as populações do vetor são mantidas em níveis que

não causam dano à saúde.


O controle seletivo do vetor, definido pela Organização

Mundial da Saúde (OMS), pode ser considerado

uma operacionalização do controle integrado. Ele

inclui a seleção das metodologias mais efetivas a serem

utilizadas, com base na realidade local, e compreende

três fases: a) definição de local; b) levantamento das

informações necessárias; e c) decisão sobre o momento

e a forma de sua implementação.


Os componentes do controle integrado de vetores

incluem vigilância, redução da fonte (ou manejo ambiental),

controle biológico, controle químico com

uso de inseticidas e repelentes, armadilhas e manejo

da resistência a inseticidas.


O manejo ambiental lança mão de medidas para

eliminar o vetor ou seus focos, ou, ainda, para impedir

o contato homem-vetor, como a eliminação de

criadouros, a drenagem e a instalação de telas em

portas e janelas.


O controle biológico de mosquitos inclui o uso de

vários predadores, invertebrados aquáticos (como

Toxorhynchites ou copépodos) ou peixes (Gambusia

sp. e outros) que comem larvas e pupas. Entre as medidas

de controle biológico, também se encontram o uso

de patógenos, como o fungo Lagenedium giganteum,

e de parasitas, como os nemátodeos (Romanomermis

culicivorax e R. iyengari).


Vários agentes de

controle biológico apresentaram um bom potencial

para suprimir populações de mosquitos, como o peixe

predador Gambusia affinis, as bactérias patógenas

Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) e Bacillus

sphaericus (Bs) e o fungo patógeno Metharizium

anisopliae.

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