segunda-feira, 21 de março de 2011

Diflubenzuron no Combate a Dengue. Esse mata mesmo... o agente de saúde, e a população!


O produto químico que foi jogado mais uma vez, pela FUNASA/Ministério da Saúde, para o controle da Dengue, O DIFLUBENZURON, é altamente tóxico (Classe II), não só para agentes de saúde, que podem desenvolver por exposição prolongada ao produto, até câncer, principalmente o de fígado, mas também coloca a população que consumirá água potável com o produto sob risco.

Veja você mesmo a nota técnica da ANVISA, sobre o produto:

www.sintsauderj.org.br/docs/luizclaudio.ppt


“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”

A própria ANVISA, que me parece a pedido da Secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro, SES/Rj, expõe com clareza os perigos inerentes ao uso incorreto e consequente toxicidade do Diflubenzuron, sobre a saúde humana.

O produto, segundo a própria ANVISA, pode contaminar preparadores da calda mãe, e aplicadores no campo.

O Diflubenzuron pode afetar músculos, vísceras, pele, gordura, sangue, fígado, rim e estômago.

Note que a própria ANVISA admite então, que o trabalhador, até por exposição prolongada com o produto, pode sofrer lesões em órgãos vitais.

Admite também que o Diflubenzuron possui baixa toxicidade aguda, porém a toxicidade mais perigosa é a crônica, pois demanda longo período de exposição ao químico, com possíveis e conseqüentes lesões de órgãos vitais, como já elencado acima.

O produto pode causar a toxicidade genotóxica, que é gravíssima, pois poderia causar graves lesões ao DNA do trabalhador, e no de quem eventualmente consumisse água tratada com o produto, por longo período.

Há suspeita de disfunção endócrina, ou seja, glândulas como a tireóide, podem ser afetadas pela exposição ao Diflubenzuron.

O produto já foi classe IV (pouco tóxico), mas por ser altamente irritante ocular (olhos), foi revisado, e incluído na classe II (altamente tóxico). É de se observar que os pesticidas de classe II, também podem provocar séria irritação dérmica. Portanto, o trabalhador que manipula o produto, principalmente sem viseira, e luvas adequadas, corre sério, e iminente risco de lesão ocular, e sérias alergias dermatológicas.

Nota-se pela fórmula estrutural do Diflubenzuron, que a substância possui dois anéis aromáticos heterocíclicos, sendo uma extremidade, o elemento químico Cloro (Cl), e na outra, o Flúor (F), o que denota alta toxicidade do Diflubenzuron, como foi de fato revisado pela ANVISA, e incluído na Classe II (alta toxicidade).

Diante do exposto, dever-se-ia buscar outras formas menos onerosas de controle da Dengue, até pelo fato de que existem produtos biológicos, e eficazes no mercado brasileiro, com ênfase inclusive na educação ambiental às pessoas, no controle do vetor. Esses produtos possuem baixo impacto ambiental, não geram resistência e somam risco zero de prejuízo a saúde do trabalhador e população.


Carlos Simas

Biólogo Ambiental

Agente Combate as Endemias/FUNASA

Especialista em controle de pragas urbanas/UFRJ

Professor pós-graduado em ensino de ciências e biologia

Estudante de Direito

34 comentários:

Anônimo disse...

Fabio
Para melhor esclarecimento, como e de nivel II a insalubridade aumenta? Ou permance da mesma forma do Abate?

biologocarlossimas disse...

Bom dia Fábio, inicialmente obrigado pela participação, por meio do seu comentário.

Fábio, desde que me entendo por gente, luto,com coerência, não só em prol de mim mesmo, mas sobretudo do coletivo, e sempre afirmo que "tem gente que fala de samba e não sabe o que diz".

Portanto meu irmão, para continuar sendo coerente com que falo e escrevo, preciso lhe dizer que não disponho no momento dessa informação, que é do ramo trabalhista.

Acredito que nosso Sindicato, o Sintsaúde-Rj, seja o canal adequado, para obtermos essa resposta de modo correto.

Nada impede também que pesquisemos, até no Site do Ministério do Trabalho.

Abração!

Anônimo disse...

Ola Carlos
Me chamo Romulo, sou ACE em Salvador e aqui tb usamos o Diflubenzuron. O link para nota tecnica da Anvisa esta fora do ar, poderia revisa-lo? Caso n seja possivel como posso ter acesso a esta nota? Estou buscando material tecnico para inviabilizar o uso deste veneno aqui em Salvador. Desde já agradeço a atenção.

biologocarlossimas disse...

Rômulo, Boa tarde, e muito obrigado pela participação. Parabéns pela atitude, pois o resto é blá, blá, blá, daqueles que fingem ser o que não são.

A própria nota técnica da Anvisa, disponibilizada em nosso artigo, já seria prova mais que suficiente da toxicidade do produto.

Continue participando, para que possamos juntos, formar uma sociedade mais justa e igualitária.

Abração amigo!

Anônimo disse...

ola!
aqui estamos usando o novaluron,por sua vez eu ainda não useu pois estava de lincença maternidade mais agora estou sendo obrigada a usar se não vão corta minha insalubridade,gostaria que vc com seu emenso conhecimento mi ajudase,pois ainda amamento e tou aflita.

disse...

Olá! Sou ACE de Salvador voltei de licença maternidade e queria saber se o DIFLUBENZURON interfere na amamentação.Se a toxicidade pode ser transmitida na amamentação.Desde já agradeço a atenção.

Carlos Simas disse...

Olá,tem havido bastante preocupação quanto a esta questão da Amamentação. Você pode e deve clicar no Link da Anvisa, na Matéria, e não verá estudos realizados neste quesito Amementação.

Pela possibilidade de toxicidade nos Sistemas ali mostrados, como no sangue, acredito que já deveria ser preocupação das prefeituras em não expor grávidas e Mães Lactantes.

Porém, como não há estudos neste sentido, e se você não Trabalha na preparação da Calda mãe,que é a função mais direta e perigosa com o produto, acredito que deve tomar todos os cuidados para, apenas não deixar respingar em você nos momentos de aplicação.

Obs: Usar sempre EPI

Abraço, tb aos companheiros(as).

Dorivaldo Luiz Silva disse...

Carlos Simas, o diflubenzurom 25% é prejudicial à saúde do funcionário? qual a fórmula deste produto em % por componente?. Me informe por favor alguma literatura onde eu possa confirmar esta matéria, pois estamos com problemas quanto ao uso deste inseticida.
Obrigado
Dorivaldo Luiz Silva
E-mail - dodoluiz43@gmail.com

Carlos Simas disse...

Olá Dorivaldo. Inicialmente, muito obrigado pela sua participação. Dorivaldo, a matéria por si só já explica e prova todos os riscos quanto ao uso do Diflubenzuron.

Acredito que a principal prova do que se relata aqui é o laudo da Própria Anvisa, em arquivo. caso haja uma outra situação extra em eu possa lhe ajudar é só me escrever.

Abraço

Raul um servo de DEUS disse...

Meu caro colega, sou ACE e blogueiro (Blog do Raul Jorge, rauljorgeinforme.blogspot.com)na cidade de Nova Russas e estão querendo implantar o uso desse produto aqui, com os outros larvicidas que trabalhamos não tinhamos proteção adequada imagine com esse! gostaria de mais esclarecimento a respeito do produto.

Raul um servo de DEUS disse...

caro colega, sou ACE e Blogueiro(Blog do Raul Jorge;rauljorgeinforme.blogspot.com) aqui na cidade de Nova Russas, o NUEND desta cidade está implantando o uso deste produto, gostaria de receber mais informações a respeito do mesmo.

Anônimo disse...

graziele.....
ola!
Gostaria mesmo de saber até que ponto as autoridades vão nos expor a essa situação, até ficarmos doentes e... os mosquitos irão ficar vivos!!!!
a anvisa deve parar as prefeituras!!!!

Carlos Simas disse...

Olá Graziele. O problema é que é a própria Anvisa, a autoridade federal que autoriza ou não o uso de domissanitários.

Portanto, acho que alguém tinha era que ter conhecimento técnico, poder da caneta e coragem para pará-la.

Infelizmente, tudo neste país são interesses corporativos e fisiológicos,e quem deseja mudar as coisas ruins são peixes muito pequenos como nós minha amiga.

Abraço!

Paulo Cesar da disse...

Prezado Carlos

Com relação à questão do Diflubenzuron, exposta por voce, verfica-se que tem ocasionado uma situação de pânico entre os agentes de saúde encarregados do seu emprego na rotina de controle do vetor Aedes aegypti, inclusive com a proposta de interrupção do seu uso em alguns municípios.

Quero informar que todos os inseticidas utilizados em sáude pública são substâncias preconizadas pela Organização Mundial de Saúde.
A OMS antes de liberar algum produto para controle de vetores encomenda a toxicologos de renomada experiencia uma revisão bibliográfica sobre essas susbtâncias. Esta revisão é repetida rotineiramente para verificação se novos trabalhos trazem alguma informação que indicam que existe alguma evidência de malefício à saúde saúde humana. Esta revisão periódica traz segurança a todos os países membros que usam as referências da OMS para escolha dos produtos a serem utilizados.
É importante salientar, que TODOS INSETICIDAS UTILIZADOS EM SAÚDE PÚBLICA, SÃO INSETICIDAS DE USO AGRÍCOLA. Não existe nenhum que tenha sido desenvolvido exclusivamente para uso em sáude pública.
É certo que o desdobramento do Diflubenzuron é um precursor da 4-cloro anilina, que é um agente indutor de meta-hemoglobina, assim como centenas de outras substâncias que usamos cotidianamente. Podemos citar: anilinas diversas (inclusive corantes azóicos, usados no tingimento de jeans), medicamentos diversos inclusive antimaláricos como cloroquina e primaquina, embutidos em geral, plasil, e centenas de outros produtos.
A conclusão dos especialistas é que o produto é seguro, não havendo evidências de que venha ocasionar problemas à saúde pelo uso profissional ou riscos à população.
A mortalidade por dengue é um problema que tem cada vez mais atingido jovens e crianças, e noticias alarmistas como essa, somente colaboram para agravamento do problema.
A questão da mudança da categoria toxicológica proposta pela Anvisa, da Categoria IV para II, diz respeito somente ao produto para uso na agricultura.
Portanto, a todos os ACE que fazem uso do produto, gostaria de reforçar que não existem evidencias até o momento sobre possíveis problemas causados pelo Diflubenzuron, devendo ser observadas as Notas Técnicas do Ministério da Saúde no que diz respeito à tecnologia de aplicação e medidas de proteção para uso do produto.

Por fim, é importante informar que caso ocorra prejuízos ao andamento da rotina de controle da dengue no âmbito municipal - levando a uma situação de risco à saúde pública, o fato pode ser objeto de apuração pelo Ministério Público Federal, que analisará as causas que deram origem à situação.

Att

Paulo Cesar da Silva

Paulo Cesar da disse...

Prezado Carlos

Com relação à questão do Diflubenzuron, exposta por voce, verfica-se que tem ocasionado uma situação de pânico entre os agentes de saúde encarregados do seu emprego na rotina de controle do vetor Aedes aegypti, inclusive com a proposta de interrupção do seu uso em alguns municípios.

Quero informar que todos os inseticidas utilizados em sáude pública são substâncias preconizadas pela Organização Mundial de Saúde.
A OMS antes de liberar algum produto para controle de vetores encomenda a toxicologos de renomada experiencia uma revisão bibliográfica sobre essas susbtâncias. Esta revisão é repetida rotineiramente para verificação se novos trabalhos trazem alguma informação que indicam que existe alguma evidência de malefício à saúde saúde humana ou riscos à população. Esta revisão periódica traz segurança a todos os países membros que usam as referências da OMS para escolha dos produtos a serem utilizados.
É importante salientar, que TODOS INSETICIDAS UTILIZADOS EM SAÚDE PÚBLICA, SÃO INSETICIDAS DE USO AGRÍCOLA. Não existe nenhum que tenha sido desenvolvido exclusivamente para uso em sáude pública.
É certo que o desdobramento do Diflubenzuron é um precursor da 4-cloro anilina, que é um agente indutor de meta-hemoglobina, assim como centenas de outras substâncias que usamos cotidianamente. Podemos citar: anilinas diversas (inclusive corantes azóicos, usados no tingimento de jeans), medicamentos diversos inclusive antimaláricos como cloroquina e primaquina, embutidos em geral, plasil, e centenas de outros produtos.
A conclusão dos especialistas é que o produto é seguro, não havendo evidências de que venha ocasionar problemas à saúde pelo uso profissional ou à população.
A mortalidade por dengue é um problema que tem cada vez mais atingido jovens e crianças, e noticias alarmistas como essa, somente colaboram para agravamento do problema.
A questão da mudança da categoria toxicológica proposta pela Anvisa, da Categoria IV para II, diz respeito somente ao produto para uso na agricultura.
Portanto, a todos os ACE que fazem uso do produto, gostaria de reforçar que não existem evidencias até o momento sobre possíveis problemas causados pelo Diflubenzuron, devendo ser observadas as Notas Técnicas do Ministério da Saúde no que diz respeito à tecnologia de aplicação e medidas de proteção para uso do produto.

Por fim, é importante informar que caso ocorra prejuízos ao andamento da rotina de controle da dengue no âmbito municipal - levando a uma situação de risco à saúde pública, o fato pode ser objeto de apuração pelo Ministério Público Federal, que analisará as causas que deram origem à situação.

Att

Paulo Cesar Silva

Paulo Cesar da disse...

-> não houve confirmação do envio do comentário anterior, estou reenviando ->

Prezado Carlos

Com relação à questão do Diflubenzuron, exposta por voce, verfica-se que tem ocasionado uma situação de pânico entre os agentes de saúde encarregados do seu emprego na rotina de controle do vetor Aedes aegypti, inclusive com a proposta de interrupção do seu uso em alguns municípios.

Quero informar que todos os inseticidas utilizados em sáude pública são substâncias preconizadas pela Organização Mundial de Saúde.
A OMS antes de liberar algum produto para controle de vetores encomenda a toxicologos de renomada experiencia uma revisão bibliográfica sobre essas susbtâncias. Esta revisão é repetida rotineiramente para verificação se novos trabalhos trazem alguma informação que indicam que existe alguma evidência de malefício à saúde saúde humana ou riscos à população. Esta revisão periódica traz segurança a todos os países membros que usam as referências da OMS para escolha dos produtos a serem utilizados.
É importante salientar, que TODOS INSETICIDAS UTILIZADOS EM SAÚDE PÚBLICA, SÃO INSETICIDAS DE USO AGRÍCOLA. Não existe nenhum que tenha sido desenvolvido exclusivamente para uso em sáude pública.
É certo que o desdobramento do Diflubenzuron é um precursor da 4-cloro anilina, que é um agente indutor de meta-hemoglobina, assim como centenas de outras substâncias que usamos cotidianamente. Podemos citar: anilinas diversas (inclusive corantes azóicos, usados no tingimento de jeans), medicamentos diversos inclusive antimaláricos como cloroquina e primaquina, embutidos em geral, plasil, e centenas de outros produtos.
A conclusão dos especialistas é que o produto é seguro, não havendo evidências de que venha ocasionar problemas à saúde pelo uso profissional ou à população.
A mortalidade por dengue é um problema que tem cada vez mais atingido jovens e crianças, e noticias alarmistas como essa, somente colaboram para agravamento do problema.
A questão da mudança da categoria toxicológica proposta pela Anvisa, da Categoria IV para II, diz respeito somente ao produto para uso na agricultura.
Portanto, a todos os ACE que fazem uso do produto, gostaria de reforçar que não existem evidencias até o momento sobre possíveis problemas causados pelo Diflubenzuron, devendo ser observadas as Notas Técnicas do Ministério da Saúde no que diz respeito à tecnologia de aplicação e medidas de proteção para uso do produto.

Por fim, é importante informar que caso ocorra prejuízos ao andamento da rotina de controle da dengue no âmbito municipal - levando a uma situação de risco à saúde pública, o fato pode ser objeto de apuração pelo Ministério Público Federal, que analisará as causas que deram origem à situação.

Att

Carlos Simas disse...

Olá Paulo, inicialmente preciso lhe dizer que nunca fui covarde, sempre me identifiquei e nunca tive medo, nem fui omisso na luta em prol do coletivo, da minha categoria.

Portanto, se desejar falar sobre assuntos técnicos se identifique como técnico.

Quanto ao MPF, procure se informar melhor a meu respeito, pois eu mesmo já entrei com ação coletiva em Cabo Frio-Rj e solicitei vistas à Funasa sobre o Diflubenzurom.

Portanto, se alguém precisa temer algo, acredito que seja quem obriga o servidor a trabalhar com produtos tóxicos sem garantias.

Quanto à toxicidade deste ou daquele produto não nos cabe discutir aqui, pois o próprio laudo da ANVISA elencado neste artigo é bastante claro nesta questão, sobretudo na página 16 (o Diflubenzurom pode afetar os eritrócitos)

Diante do exposto, não vejo motivo para mais delongas, porém como pessoa pública, continuo pronto para responder a qualquer pergunta (até porque já o fiz no MPF), desde que exista a devida e correta identificação de quem comenta e que não haja inépcia na conceituação dos fatos.


Carlos Simas disse...

Ainda sobre os possíveis efeitos nocivos do Diflubenzurom sobre a saúde humana é só consultar a página 14 deste artigo.


http://www.sintsauderj.org.br/docs/luizclaudio.ppt

Carlos Simas disse...

Retificando, a página correta é a 17. Leiam, por favor!

Paulo Cesar da disse...

Prezado Carlos (Parte 1)
Permita-me voltar a comentar, e minha intenção é apenas, esclarecer os fatos à luz da realidade cientifica atual, no que diz respeito ao produto Diflubenzuron.

Com relação às informações postadas sobre o Diflubenzuron no seu Blog, existem fatos que vou tentar esclarecer. Vamos primeiro comentar sobre o “link” postado que inicialmente é referido como “nota técnica”, mas na realidade, é apenas uma apresentação (Power Point) feita por técnico da Anvisa em uma Oficina promovida pela SES/RJ para, a princípio, tratar da indicação do uso de EPI aos ACE no âmbito do Rio de Janeiro, da qual participei.
Em decorrência do posicionamento da Anvisa , que informou que estava em andamento uma revisão da Categoria toxicológica do Diflubenzuron passando da Categoria IV (pouco toxico) para a Categoria II (medianamente toxico, e não altamente tóxico como referido no Blog), os dirigentes da Secretaria de Vigilância em Saúde, convocaram logo após, uma audiência com o Presidente da Anvisa, Dr Dirceu Raposo de Melo, que após as discussões, informou o seguinte em ata assinada pelos participantes:
“Esclareceu-se que o DIFLUBENZURON (Agente larvicida) pode ser utilizado, e que o que se está discutindo, é a proteção do trabalhador (EPI) que vai manipular e pulverizar o produto.
A reavaliação do produto formulado não se dará imediatamente, porém é sabido que o produto formulado é de nível 4 (quatro) e deverá permanecer como tal; a reavaliação trata do produto para uso agrícola e não em saúde pública (no combate à dengue).
O produto formulado classificado como nível 4 é de conhecida segurança quando utilizado dentro dos padrões e indicações preconizadas e com a devida proteção dos trabalhadores”
Esta ata é inclusive assinada pelo autor da apresentação referida como “nota técnica”.
É necessário entender que, não se compara a exposição do aplicador nas atividades agrícolas, com a exposição que poderia ocorrer decorrente do seu uso em saúde pública. Nota-se que a mudança se dará para formulações de uso agrícola pelo fato de alguma evidencia de irritação ocular.

Deve ser esclarecido, é que, TODOS OS INSETICIDAS UTILIZADOS EM SAÚDE PUBLICA SÃO PRODUTOS DE USO AGRÍCOLA, pois não existe interesse por parte dos laboratórios produtores, em desenvolver produto específico para esta finalidade.
Os inseticidas adquiridos pelo Ministério da Saúde para distribuição aos municípios por intermédio das Secretarias Estaduais de Saúde, são necessariamente, preconizados pela OMS pelo WHOPES – WHO Pesticide Evaluation Schemme.
Todos os ingredientes ativos, antes de serem indicados, passam por uma completa revisão da literatura cientifica, onde se analisará todos trabalhos disponíveis até a data da avaliação.
Periodicamente a OMS submete estes produtos a uma revisão rotativa da literatura (Rolling revision), de maneira que sempre, estão sendo avaliados. Este fato agrega segurança nestas indicações, pois temos certeza que especialistas estão sempre atentos ao que pode aparecer de novidade sobre o produto. O Diflubenzuron passou por este processo antes de ser liberado pela OMS para uso em saúde pública.

Paulo Cesar da disse...

Parte 2
Com relação aos produtos que serão utilizados em água de consumo humano, os protocolos de segurança são ainda mais rígidos, e ocorrem no âmbito do Programa Internacional de Segurança Química – IPCS, entidade máxima que trata de assuntos relacionados à segurança de substâncias químicas. O IPCS é vinculado à OMS, à UNEP (Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente e à OIT (Organização Internacional do Trabalho).
As liberações de produto para uso em saúde pública em água de consumo humano são coordenados no IPCS pelo GDWQ (Guidelines Drinking Water Quality), sendo que, até o momento 5 substâncias são utilizadas para uso em água potável: (i) temefós, (ii) Bti, (iii) diflubenzuron, (iv) novaluron, (v) piriproxifen. Mais recentemente foi liberado o Spinosad que tem mostrado excelente atividade larvária contra o Aedes aegypti.
(Vejam quantas substâncias podem ser utilizadas, e que se não se repassar informações seguras e corretas à população, seremos responsáveis pela disseminação da insegurança, incerteza. desassossego e pânico aos usuários e à população).
Em documento oficial a OMS assim se refere: “Algumas substâncias são utilizadas em água potável para controle de vetores. É conveniente que não se criem diretrizes restritoras que impeçam o seu uso. Deve-se buscar um equilíbrio entre a qualidade da água e a necessidade de controlar vetores. Entretanto é conveniente que as doses sejam as menores possíveis”.
Esta informação é bastante sóbria e direta e passa o recado: o risco existe e necessita-se de tratar este tipo de água – não atrapalhem.

Observando a afirmação feita no Blog:
“ Nota-se pela fórmula estrutural do Diflubenzuron, que a substância possui dois anéis aromáticos heterocíclicos, sendo uma extremidade, o elemento químico Cloro (Cl), e na outra, o Flúor (F), o que denota alta toxicidade do Diflubenzuron.”
Esta afirmação carece de fundamentação, pois as presenças citadas não são de modo algum indicativo de toxicidade. Lembre-se o produto é de Categoria IV (DL50 = 4.600 mg/Kg PV).
O fato correto é que, um dos produto da quebra da molécula do BPU é um precursor da 4-cloro-anilina que tem ação meta-hemoglobinizante (formação de meta-Hb). É necessário informar que ao nosso redor estamos diária e diretamente em contato com centenas de outras substâncias com o mesmo efeito, como por exemplo: anilinas e corantes diversos, pigmentos azoicos (tingimento de jeans), tintas gráficas, medicamento como primaquina, cloroquina, plasil, nitritos e nitratos (mortadela, salames), e pasme: legumes vermelhos.

Paulo Cesar da disse...

Parte 3
O que ocorre é que os procuradores do apocalipse, colocam uma lupa de aumento apenas em cima do BPU e não citam, ou não sabem, do fato de que inúmeras outras substâncias possuem o mesmo efeito.
Não vamos aqui, relatar as fontes pois seria muito extenso, mas deve-se acessar o site da OMS e IPCS para buscar estas referencias, mas o PBU não tem ação, carcinogênica, teratogênica, mutagênica enfim, nada se comprova com relação a isso. Caso houvesse alguma dessas evidências, o produto não teria sido autorizado pela OMS/IPCS para uso em água potável.
Caso seja necessário, posso repassar estas referencias.

No caso específico do Diflubenzuron, já é um produto utilizado em agricultura há quase 40 anos, sendo utilizado na cultura do milho, soja, fumo, maçã, pera, etc., além de uso na silvicultura e piscicultura.
Pelo fato do BPU passar incólume pelo trato digestivo (mais de 85%) dos mamíferos, o produto é agregado como suplemento ao sal fornecido ao gado leiteiro para controle da mosca do chifre nas fezes (mosca hematófaga, Haematobia irritans). Há mais de vinte anos se usa o produto e não existem evidencias da presença do produto no leito consumido pela população.
Portanto, já estamos em contato com o produto há muito tempo, e nem nos demos conta, pois não existem evidencias (comprovada por bons trabalhos científicos) de seus problemas à saúde humana, quando aplicado dentre das boas práticas agronômicas e de segurança.

Cada vez fico mais convencido que a era da internet é a era da desinformação, pois caso não se tome cuidados na busca de boas fontes, ficamos com toda certeza, desinformados.
Com relação ao Ministério Público, estamos acostumados a este contato, pois na rotina de trabalho respondemos a dezenas de indagações do MP.
São apresentados os processos e importância do uso da substâncias além de evidencias convincentes originárias de fontes confiáveis, e isto tem sido suficientes para um entendimento racional da questão, pois são informações oficiais oriundas de órgãos reconhecidos.
Paulo Cesar da Silva
Sanitarista
Programa Nacional de Controle da Dengue
Ministério da Saúde

Carlos Simas disse...

Olá Paulo Cesar, obrigado pela identificação, até porque primo sempre pela verdade.

Dessa forma, publiquei na íntegra seus esclarecimentos quanto ao químico Diflubenzurom e espero sinceramente que meus milhares de leitores atentem aos detalhes ali exarados.

Contudo, me dou o direito de reafirmar minha convicção pessoal como técnico Biólogo Ambiental da toxicidade do produto, pois em toda sua narrativa fica evidenciado o cuidado no manuseio do químico, inclusive citando vários elementos químicos encontrados no produto e que lidamos com os mesmos no dia a dia.

Ora, (apenas como exemplo) será que por que lido com substâncias cancerígenas no dia a dia como o Benzeno nos Desinfetantes domésticos, torna-se menos grave quando tenho que lidar com a mesma substância em inseticidas/larvicidas profissionais?

A única diferença é que no primeiro caso lido com o desinfetante por opção e no segundo (meu trabalho) por OBRIGAÇÃO.

Devo esclarecer ainda que apesar de ser pós-graduado em Biologia Ambiental, exerço o cargo de Agente de Combate as Endemias; e, portanto sei na prática o efeito do Diflubenzurom em minha pele e olhos, depois de um dia de sól.

Será que os milhares de agentes que trabalham manipulando Diflubenzurom e que relatam o mesmo estariam enganados Paulo?

Quanto a DL 50 de qualquer Pesticida, nós técnicos (ainda que no meu caso seja técnico por formação, pois na prática sei muito bem do efeito do químico, já que sou agente de campo) essa dose é a dose que serve para matar por intoxicação aguda (na hora) e não por exposição prolongada, que é a intoxicação crônica, a qual todos nós, sobretudo os Agentes da FUNASA se encontram intoxicados pela longa exposição a químicos.

Quanto a divulgação na matéria da toxicidade do anel aromático Cloro/Flúor na cadeia química do Diflubenzurom, acredito que nem precisamos travar uma batalha aqui, pois ainda na química I, II da Faculdade de Biologia, Química e quero acreditar que na sua de Agronomia se aprende isso.

Além do que, quem que por mais humilde culturalmente seja, nunca ouviu da extrema toxicidade do Cloro e até do Flúor que ai sim você teria razão, ingerimos na água que bebemos. Absurdo de um país subdesenvolvido na saúde. Por essas e outras a cada dia aumentam os números de câncer no Brasil.

Até lhe entendo, pois como técnico do governo está fazendo sua parte.

Abraço meu amigo.

Paulo Cesar da disse...

Ok, Carlos
Agradeço a atenção e estou disposto a apresentar mais informações, inclusive sobre a questão da mudança da classificação toxicológica do Diflubenzuron de IV para II, e a questão da irritação ocular apresentada pela Anvisa para para essa mudança.
Se me permite, vou entrar em contato contigo por e-mail.
Mais uma vez, abraços e estamos às ordens.

Carlos Simas disse...

Ok Paulo Cesar. Abraço!

Anônimo disse...

GOstaria de saber se quem está grávida pode trabalhar com novaluron?

Anônimo disse...

O DIFLUBENZURON ... também é comercializado para controle de mosca do chifre e carrapatos nas criações de bovinos de corte e leiteiros...alguém sabe comentar a respeito dos efeitos do consumo da carne e leite dos animais tratados com este produto...??? Até pq a indicação para bovinos é de uso diário e contínuo...ele tem efeito cumulativo? Na gordura do animal???

Anônimo disse...

Sou ASA do ES e há 2 semanas comecei passar mal, com diagnóstico de intoxicação. E o produto químico o qual tive exposição foi o Lavircida Diflubenzuron, os médicos q passei comprovaram apos pesquisas. Já notifiquei a Vigilância do município mas gostaria de saber se há algum outro lugar q deveria fazer a notificação. Uma vez que não nos é fornecido EPI'S para manuseio do produto? Abraço.

Juniordavitoria disse...

Sou ASA do ES e há 2 semanas comecei passar mal, com diagnóstico de intoxicação. E o produto químico o qual tive exposição foi o Lavircida Diflubenzuron, os médicos q passei comprovaram apos pesquisas. Já notifiquei a Vigilância do município mas gostaria de saber se há algum outro lugar q deveria fazer a notificação. Uma vez que não nos é fornecido EPI'S para manuseio do produto? Abraço.

Juniordavitoria disse...

Sou ASA do ES e há 2 semanas comecei passar mal, com diagnóstico de intoxicação. E o produto químico o qual tive exposição foi o Lavircida Diflubenzuron, os médicos q passei comprovaram apos pesquisas. Já notifiquei a Vigilância do município mas gostaria de saber se há algum outro lugar q deveria fazer a notificação. Uma vez que não nos é fornecido EPI'S para manuseio do produto? Abraço.

Juniordavitoria disse...

Sou ASA do ES e há 2 semanas comecei passar mal, com diagnóstico de intoxicação. E o produto químico o qual tive exposição foi o Lavircida Diflubenzuron, os médicos q passei comprovaram apos pesquisas. Já notifiquei a Vigilância do município mas gostaria de saber se há algum outro lugar q deveria fazer a notificação. Uma vez que não nos é fornecido EPI'S para manuseio do produto? Abraço.

Carlos Simas disse...

Olá Junior, como em seu caso, segundo seu próprio relato, já foi realizado e comprovado o diagnóstico de intoxicação por Diflubenzurom por exames médicos, acredito que a Vigilância Sanitária do seu Município tomará as devidas providências.

Caso porém isso demore à ocorrer, você pode e deve ingressar com esses laudos tanto na justiça do trabalho, caso você seja celetista, quanto no MPT( Ministério Público do Trabalho que moverá ação coletiva, sobretudo pela ausência de EPI, que configura falta grave da prefeitura.

Quanto a intoxicação, acredito que você já esteja medicado, porém nunca é demais lembrar que além dos remédios, uma boa alimentação e muita água ajuda bastante, pois o Diflubenzurom é expelido pela urina em poucos dias após a absorção pelo organismo.

Forte abraço, saúde e sucesso para você e demais companheiros do Espírito Santo.

luciano ace/pe disse...

ola Carlos Simas.
meu nome è Luciano sou agente de endemias concursado da cidade de Jaqueira em PE, somos em 4 agentes e todos nós tivemos reação ao deflubenzuron. Após conhecimento da nota da ANVISA decidimos parar de usar o mesmo. pq não dispomos de EPIs. a pergunta é. como devo proceder para não usar mais este deflubenzuron e o que vc me diz do novaluron?

nossas reações ao deflubenzuron.
irritação nos olhos: nos 4 ace
dificuldade na respiração: nos 4 ace
fechamento da garganta e irritação: nos 4 ace
irritação na pele: em 2 ace.
ps: não temos EPIs.

obridado pela atenção e parabens pela materia.

Anônimo disse...

-Queria saber sobre o nova-luron nós aqui agente de endemias trabalhamos com diflubenzuron o nova luron séria melhor? Reriutaba (ceará)