quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Monitora Dengue













 (Foto: Marino Azevedo)


O projeto Monitora Dengue é lançado pelo Governo do Rio de Janeiro nesta terça-feira (15), em evento no Palácio Guanabara. O objetivo é garantir que os municípios consigam acompanhar em tempo real o trabalho dos agentes de endemia na busca por focos do 
 mosquito transmissor da doença.

O Monitora Dengue consiste na distribuição de smartphones aos agentes municipais para fazer o preenchimento de informações sobre os locais visitados e a situação dos domicílios e, assim, georreferenciá-los. O Rio de Janeiro é o primeiro local do país a utilizar em escala estadual um sistema de captação de dados em tempo real no combate à dengue. 

A tecnologia vai agilizar a elaboração dos relatórios com os dados coletados e permitir que o tempo de resposta para implementação de ações de combate à dengue e atendimento aos pacientes seja feito mais rápido nos pontos onde houver necessidade.

- O nosso principal objetivo é salvar vidas. De 2012 pra 2011 o número de óbitos despencou. Estamos dando todo o suporte aos prefeitos, principalmente nesse momento em que estão assumindo as prefeituras. Na área de capacitação, levamos equipes até os municípios ensinando como proceder em casos de suspeita de dengue. E agora estamos dando inteligência as visitas, com os smartphones, ao atendimento, com a informatização da ficha do paciente, num sistema que orienta como se deve fazer o manejo clinico, e enviando SMS para orientar os pacientes a retornar as unidades de saude e a identificar sinais de alerta da doença - disse o secretário de Estado de Saúde, Sérgio Côrtes.

Magé será o primeiro município a receber os aparelhos e deve começar a utilizá-los a partir de fevereiro. A previsão é que sejam distribuídos 10 mil smartphones aos municípios que fizerem adesão e disponibilizarem seus agentes de saúde para capacitação. A ação é resultado de uma parceria entre a SES, o Ministério da Saúde e o IBGE, que fará a cessão dos aparelhos. O sistema de informações foi desenvolvido pelos técnicos da Secretaria de Estado de Saúde.

- Esse smartphone é o mesmo usado pelo IBGE nos censos. Os smartphones são completamente bloqueados e nenhum outro aplicativo pode ser instalado nele. De posse deste smartphone, na medida em que os agentes de combate de endemias vão fazendo as visitas aos domicílios, eles já vão indicando nestes smartphones o que está sendo encontrado em cada um desses domicílios. 

Esta informação é georeferenciada por satélite e, depois, ela é descarregada no computador. Diariamente, cada gestor municipal consegue identificar todas as casas que foram visitadas, qual foi o trajeto feito por cada um dos agentes de endemias, quais as casas que contém foco de mosquito. Enfim, ele consegue dar todas as informações das visitas dos agentes em tempo oportuno para as intervenções possam ser desencadeadas - destacou o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, Alexandre Chieppe.

Prefeitos e secretários municipais de Saúde foram convidados para reunião no Palácio Guanabara de lançamento das ações Rio Contra Dengue 2013, incluindo a campanha 10 Minutos Contra a Dengue, tom de alerta para governos e população para evitar o alarde de uma epidemia da doença. Os gestores também vão receber orientações sobre procedimentos e programas da Secretaria de Estado de Saúde e do Ministério da Saúde que seus municípios já fazem parte ou que podem aderir. O encontro vai ajudar também àqueles que não tiveram transição a conhecer a situação de seus municípios e os recursos já repassados para a saúde local. O objetivo é sensibilizar os gestores em relação ao problema da dengue.

Outras ações – O evento prevê a exposição ainda de outras estratégias desenvolvidas no combate à dengue por parte do Governo do Estado nos últimos anos, que inclui o sistema de atendimento de pacientes nas UPAs, que será disponibilizado para utilização dos municípios, metodologia de capacitação dos técnicos de saúde e formulário padronizado de dengue para atendimento nos centros de hidratação.

 Além disso, serão apresentados o modelo dos centros de hidratação que serão montados nos municípios e os materiais informativos usados no combate à dengue. Os gestores poderão visitar stands e totens que representam alguns dos principais projetos da SES relacionados à dengue como centro de hidratação, o projeto 10 Minutos contra dengue e o Monitora Dengue.

Salas de Situação Regional - Esta iniciativa serve para reunir representantes das secretarias municipais de Saúde e das subsecretarias de Vigilância Epidemiológica e de Atenção à Saúde e da Assessoria de Humanização da Secretaria para discutir ações de prevenção e combate à doença no estado do Rio de Janeiro. Os 92 municípios do estado estarão cobertos por 10 salas, com profissionais responsáveis por acompanhar o trabalho local e tomar as decisões de forma colegiada.

Casos de dengue - Durante a 1ª semana epidemiológica de 2013 (de 1º a 7 de janeiro) foram notificados 26 casos suspeitos de dengue no estado do Rio de Janeiro. Nesse período, nenhum óbito foi registrado. No mesmo período da semana anterior, foram 36 casos notificados. Durante todo o ano passado foram notificados 184.123 casos suspeitos de dengue no estado, com 41 óbitos. Na comparação entre 2012 e 2011, apesar do aumento de 9,34% nas notificações por dengue, a quantidade de óbitos caiu 70% no mesmo período.




Nossa Opinião:

Na condição de Agente de Combate as Endemias há mais de 20 anos e formação em Biologia Ambiental, volto mais uma vez a dizer: "Enquanto a própria categoria de agentes de saúde em todo Brasil não for ouvida e fizer parte de modo intrínseco dessas "ações" pouca valia haverá.

Apesar de não possuir dados concretos, até porque sou agente de campo, acredito que mais de oitenta por cento dos atuais agentes de campo da Dengue são servidores temporários das prefeituras, que entram por meio de indicações políticas (na maior parte das vezes por vereadores) e que, portanto  principalmente neste momento de troca de gestores municipais na maior parte do Brasil, esses servidores ficam sujeitos a demissão, para que outros apadrinhados de novos vereadores sejam alocados.

Apesar de "aparentemente" não vir ao caso, é importante frisar que essa turma de trabalhadores é mão de obra barata, ganham em média um salário mínimo, que não dá nem para comprar filtro solar de boa qualidade para um mês inteiro, pois trabalhamos sob forte insolação e nem o Ministério da Saúde, muito menos Prefeituras fornecem esse item básico para que o servidor possa trabalhar protegido, sem correr riscos reais de contrair  câncer de pele.

Como tenho denunciado sobre essa questão, como inclusive já o fiz ao MPT, se não cumprem as leis trabalhistas vigentes no país, para com o Servidor, não  se há de falar em compromisso real de controle da Dengue, pois ninguém pode verdadeirente  produzir sem ter as mínimas garantias fundamentais elencadas na Constituição Federal.

Fornecerão um  smartphone para enviar dados em tempo real, tudo bem, e quanto ao problema principal que venho denunciando há anos e ninguém toma providências, a notificação ao menos que o agente teria que ter à mão, quando encontra durante anos os mesmos depósitos abertos e abandonados, escreve meramente em seu boletim de trabalho diário, entrega ao fim do trabalho a sua chefia imediata, que certamente o repassa para a Secretaria de Saúde, que nada, ou muito pouco faz respeito.

E a quantidade de imóveis fechados, sobretudo em regiões turísticas e costeiras, e as recusas na época de verão, pois o morador encontra-se em casa, mas sempre está saindo para a praia, quando o agente chega para sua visita domiciliar?

Tenho tentado, há mais de vinte anos agora, trabalhar honesta e arduamente, colocar essas situações para sucessivos governos, mas parece que só interessa a tecnocracia, o que dá Flash e Lucro exacerbado ao bolso de alguns.

Guardadas evidentemente as devidas proporções, será que só comprar  smartphones para servidores (grande parte deles (temporários) neste momento já  se encontra oficialmente sem contrato, pois venceram no final de Dezembro de 2012, com a saída dos prefeitos não reeleitos) seria realmente ter a intenção de "Salvar Vidas"? Por que então não começar primeiramente por se respeitar o servidor e lhe fornecer filtro solar contar câncer de pele?

Bem, vou ficando por aqui e, quero deixar bem claro que  este artigo possui a única intenção de mais uma das inúmeras vezes em que reverbero, colaborar para uma saúde cada vez melhor para a população!









domingo, 13 de janeiro de 2013

Dengue, mais uma epidemia anunciada.






















Mais uma epidemia de Dengue anunciada. Agora, após mais de uma década, o tipo 4 da Dengue nos assombra, pois crianças e adolescentes que não foram afetados por ele estão totalmente vulneráveis e, portanto pode haver nova epidemia no Brasil.

E digo anunciada por quê?

Simplesmente porque desde que houve a descentralização e foi entregue este importantíssimo trabalho em saúde pública às prefeituras que a Dengue vem piorando e, é muito fácil de entender o motivo deste aumento: Este ano de 2012 o governo Federal vai repassar mais de 150.000.000,00 aos municípios e pasmem, nada ou quase nada os prefeitos e Secretários de Saúde precisam prestar contas desse dinheiro. 

Acho um verdadeiro absurdo de que nem mesmo um simples talão de notificação o agente receba para dar ciência por escrito ao morador quando encontra sucessivas vezes durante anos a mesma água parada, depósitos espalhados pelo quintal e caixas dágua destampadas ou com tampas quebradas, o que é muito comum en todos Brasil. 

Assim, como mostra a matéria logo abaixo, fica muito difícil vencer a Dengue....   



 




A palavra dengue tem origem espanhola e significa "melindre", "manha". O nome indica o estado de moleza e prostração em que fica a pessoa, quando infectada pelo arbovírus (abreviatura do inglês de arthropod-bornvirus, para vírus proveniente dos artrópodos).

O dengue é uma doença infecciosa causada pela picada da fêmea do Aedes aegipty, que transmite um arbovírus (existem quatro tipos diferentes de vírus do dengue: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4), que ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. 

As epidemias geralmente ocorrem no verão, durante ou imediatamente após o período chuvoso.

O dengue clássico, ou comum se inicia de maneira súbita e podem ocorrer febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores nas costas. Às vezes aparecem manchas vermelhas ou icterícia no corpo. A febre costuma durar cerca de cinco dias com melhora progressiva dos sintomas em aproximadamente 10 dias. Em alguns pacientes podem ocorrer fracas hemorragias, ou sangramentos no  nariz, boca, e até pela na urina . 




Dengue hemorrágico

Dengue hemorrágico é uma forma grave de dengue. No início os sintomas são iguais ao dengue clássico, mas após o 5º dia da doença alguns pacientes começam a apresentar sangramento e choque. 

Os sangramentos ocorrem em vários órgãos. Este tipo de dengue pode levar a pessoa à morte. Dengue hemorrágico necessita sempre de avaliação médica de modo que uma unidade de saúde deve sempre ser procurada pelo paciente.

Dengue Tipo 4

O avanço do vírus tipo 4 da dengue pelo Brasil é uma ameaça à saúde pública. Não pelo vírus em si, que não é mais nem menos perigoso que os tipos 1, 2 e 3, mas pela entrada em ação de mais uma variação do vírus.

Existem quatro tipos do vírus da dengue: O DEN-1, o DEN-2, o DEN-3 e o DEN-4. “Causam os mesmos sintomas. A diferença é que, cada vez que você pega um tipo do vírus, não pode mais ser infectado por ele. 

Ou seja, na vida, a pessoa só pode ter dengue quatro vezes”, explica o consultor de dengue da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ivo Castelo Branco.

“Em termos de classificação, estamos falando do mesmo tipo de vírus, com quatro variações”, explica Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

 “Do ponto de vista clínico, são absolutamente iguais, vão gerar o mesmo quadro”, esclarece o médico.

A explicação do problema provocado pelo vírus 4 está no sistema imunológico do corpo humano. 

Quem já teve dengue causada por um tipo do vírus não registra um novo episódio da doença com o mesmo tipo. 

Ou seja, quem já teve dengue do tipo 1 só pode ter novamente Dengue se ela for causada pelos tipos 2, 3 ou 4.

“Quanto mais vírus existirem, maior a probabilidade de haver uma infecção”. Se houvesse só um tipo de vírus, ninguém poderia ter dengue duas vezes na vida.

A possibilidade da reincidência da doença é preocupante. Caso ocorra um segundo episódio da dengue, os sintomas se manifestam com mais severidade. 

“Existe certa sensibilização do sistema imunológico e ele dá uma resposta exacerbada”, afirma Litvoc.

Esta reação exagerada do sistema imunológico é um problema. Pode causar inflamações, sobretudo no fígado, que fica super infeccionado e, por isso, aumenta o risco de lesões nos vasos sanguíneos, o que levaria à dengue hemorrágica. 

Um terceiro episódio poderia ser ainda mais grave, e um quarto seria mais perigoso que o terceiro.

Ou seja, apesar da crença de muitos de que um “vírus específico hemorrágico”, isso não existe, o que ocorre na realidade é a sensibilização do organismo a cada nova infecção por tipo diferente de vírus da Dengue, o que fatalmente leva o paciente ao quadro hemorrágico.

Causa

A infecção pelo vírus, transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, uma espécie hematófaga originária da África que chegou ao continente americano na época da colonização. 

Não há transmissão pelo contato de um doente ou suas secreções com uma pessoa sadia, nem fontes de água ou alimento.


Tratamento

Não existe tratamento específico para dengue, apenas tratamentos que aliviam os sintomas.
Deve-se ingerir muito líquido como água, sucos, chás, soros caseiros, etc. 

Os sintomas podem ser tratados com dipirona ou paracetamol, porém sempre com a devida indicação médica, não devem ser usados medicamentos à base de ácido acetil salicílico e antiinflamatórios, como aspirina e AAS, pois podem aumentar o risco de hemorragias.